sábado, novembro 27, 2004
  Poder sobre si mesmo

Muitas vezes, quando uma pessoa deseja muito poder sobre os outros, é porque ela tem pouco poder sobre si mesma. 
  Meta-ética: algumas discussões sobre os paradigmas éticos e suas origens psicológicas

O ensaio "A Constituição do Campo Ético", do professor José Eduardo Marques Baioni, está claramente dividido em duas partes. A primeira consiste de uma discussão mais teórica visando a conceituação de Ética e é sustentada com exemplos e comparações das éticas socrática e aristotélica. Já na segunda parte, o enfoque se torna mais prático, ao avaliar algumas das tendências da sociedade contemporânea no escopo da ética. O texto se mostra abrangente o suficiente para permitir a discussão de diversos conceitos de ética.

Como se sabe, as éticas aristotélica e socrática são teleológicas, ou "de bens", uma vez que defendem a existência de um bem supremo, que seria o fim definitivo a ser buscado pela humanidade. Uma das diferenças cruciais entre as duas, no entanto, é a questão da aprendizagem, que é bastante enfatizada no ensaio. Enquanto para Sócrates, o conhecimento do bem é inato, não podendo ser ensinado, Aristóteles acredita que é a prática constante das virtudes, os justos meios entre extremos viciosos, que torna o homem bom e que essa prática pode, evidentemente, ser ensinada.

Apesar do foco maior estar na ética teleológica, principalmente na primeira parte do texto, notam-se também traços de outros paradigmas éticos, discutidos com menos profundidade. O paradigma utilitário, por exemplo, em que uma ação é considerada boa quando maximiza a satisfação da coletividade, se faz presente quando o autor critica a tendência de identificação da ética contemporânea com a deontologia de Jeremy Bentham.

Quando o ensaio questiona qual o melhor critério para avaliar uma ação, se é a concordância com os costumes vigentes ou se é a intenção que levou à ação, ele toca na questão da importância do conceito de autonomia do indivíduo na ética, o que lembra a ética formal kantiana e seu conceito de imperativo categórico, que serve como um instrumento para o indivíduo decidir autonomamente sobre o valor ético de suas opções de ação.


Dentre esses paradigmas da Ética estudados, não me identifico totalmente com nenhum deles. Alguns me parecem conter falhas de lógica, enquanto outros assumem premissas fortes demais ou são incompletos.

No utilitarismo, me atrai a idéia de ser voltado a maximizar resultados, satisfação ou benefícios, mas ele simplesmente não me parece uma teoria ética completa, uma vez que se esquiva da pergunta fundamental: "O que é o bem? Quando uma ação é boa?". O utilitarismo responderia algo como: "é bom aquilo que maximiza a satisfação resultante". E isso só serve para reformular a pergunta fundamental: "O que é satisfação? Quando uma ação traz satisfação?". Para se completar e responder a pergunta, o utilitarismo precisa inevitavelmente recorrer a outros paradigmas.

Da ética formal, a idéia mais interessante é justamente a formalização, que a torna bastante análoga à Matemática e permite construir conclusões de forma bem estruturada e lógica, conferindo segurança às discussões. O problema das éticas formais costuma ser suas premissas fortes demais e não necessariamente universais. Portanto, suas conclusões também não podem ser universais, como se deseja em Ética. Na ética kantiana, por exemplo, me parece que há dois pontos fracos:
* O imperativo categórico só conduz a resultados universais, se todos os indivíduos tiverem a mesma cultura e os mesmos costumes. Em ambientes multi-culturais, o imperativo categórico pode ser até não-prático, por poder conduzir a situações conflituosas.
* A vida humana é assumida como um valor fundamental por premissa. Esse valor, no entanto, não é universal, como se nota, por exemplo, ao estudar civilizações que adotam sacrifícios humanos ou teorias utilitaristas modernas que não diferenciam seres humanos de animais.

Ao paradigma teleológico também falta universalidade. A determinação de um bem supremo é sempre arbitrária e relativa à cultura. Uma comprovação disso é a existência de inúmeras teorias teleológicas que se diferenciam geralmente pela escolha desse bem supremo, como o eudemonismo, o idealismo, o hedonismo, o epicurismo, o estoicismo, a ética socrática, a ética platônica e a ética aristotélica.


O foco do texto nas éticas de Aristóteles e Sócrates me instigou a pensar mais amplamente sobre as éticas teleológicas, especificamente no que se refere a necessidade que as pessoas têm de estabelecerem fins para si mesmas. O estabelecimento de um fim provavelmente serve para preencher o vazio existencial angustiante advindo da condenação Sartreana a ser livre.

A maioria das pessoas, por medo ou por desejo e instinto de pertencer ao rebanho, simplesmente adota como fim aquilo que é ditado pelos costumes e dogmas da época. Outros, formando um segundo grupo de natureza normalmente mais racional, acabam se identificando com alguma teoria ética, mesmo inconscientemente, a partir da qual extraem direta ou indiretamente seus fins.

No entanto, por serem arbitrários, os fins não passam de ilusões. As pessoas tentam se convencer de que as ilusões são reais ao tentar provar pra si mesmas que as conclusões éticas deduzidas e os fins buscados são universais. Convencer-se da universalidade dos próprios valores e fins auto-impostos também é uma forma de se sentir confortável por acreditar fazer parte do rebanho, ou pelo menos de um rebanho idealizado.

Para o ser humano não basta, no entanto, preencher seu vazio com um fim. É preciso que esse fim seja bom e, ainda mais importante, que ele seja melhor que o dos outros. Do desejo de poder sobre os outros, surge então a necessidade de dividir maniqueísticamente as ações em boas e ruins. Só com uma divisão de valores assim, um homem pode se sentir superior e mais virtuoso que outro. A discussão ética também precisa ser vista, portanto, como um instrumento de poder. Se faz necessária uma meta-ética, uma filosofia que avalie a necessidade psicológica gera a necessidade de discussões éticas.

Assim como Zaratustra, eu também me indago se seria possível existir um terceiro grupo de pessoas, Übermenschen, que conseguiriam compreender o vazio, viver sem fins e estar além do bem e do mal. 
domingo, novembro 21, 2004
  The End of ITA

My time in ITA is getting over. Only about 27 days left! And still a lot of works, tests and similar stuff to do... 
  Bureaucracy

Ah... I can't stand the bureucracy for Ph.D. and M.Sc. anymore... 
quarta-feira, novembro 17, 2004
  Final Work Presentation

My final work presentation was this morning... Finally I'm free from it. One less thing to do to reach the end of ITA...

The presentation was the worst I have ever done in my life... Several things happened to disturb me:


All this kept taking my concentration away... So it was difficult to keep logical, non-repetitive explanations... It was terrible. 
segunda-feira, novembro 15, 2004
  Reversi for Palm

After some days and nights of work, I finished programming the game Reversi in Java J2ME, which runs in Palms and Mobile Phones... In the end, I'm surprised by how good and interesting it became. As soon as I get a good InterNet connection, I will put it in the Software Section of my site for download...

Reversi is a very interesting game with very simple rules. These rules, however, make the game quite complex. 
Dammerung
O Crepusculo.

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