A Natureza Paradigmosa da Humanidade [Escrito em 23.01.01]
A humanidade é composta por 6 bilhões de indivíduos aprisionados em suas rotinas auto-impostas, infernos pessoais, raramente conscientes da própria vida. Por que?
Talvez porque seja dispendioso e até doloroso se manter consciente. É simplesmente mais fácil não pensar em nada, não buscar o conhecimento de si próprio e aceitar as receitas prontas, os paradigmas, que a sociedade mostra. “Aventurar-se causa ansiedade, mas deixar de arriscar-se é perder a si mesmo... E aventurar-se no sentido mais elevado é precisamente tomar consciência de si próprio” (Kierkgaard).
Mas esse ato de tomar consciência de si próprio necessita estranhamente de um esforço contínuo, sem o qual a mente humana volta a se acomodar em torno de arquétipos. Geralmente, a tomada de consciência ocorre quando algum evento abala as convicções de uma pessoa, que então passa por momentos de lucidez, embora psicologicamente desconfortáveis. É esse desconforto que faz o indivíduo se acomodar em torno de novas convicções, tornando-se novamente inconsciente.
O esforço contínuo torna o ato dispendioso e o desconforto pode ser profundamente “doloroso” para quem era muito convicto de seus dogmas religiosos ou princípios científicos. O esforço consiste em justamente acostumar-se a viver no desconforto da existência sem paradigmas, viver sem se convencer de qualquer coisa no universo e sempre questionar a si mesmo.
Mas tudo o que está escrito acima deve ser apenas mais um grande paradigma...