O Paradoxo da Bússola
Apesar do enorme avanço na teoria do eletromagnetismo e nos artefatos decorrentes dela, uma pergunta simples continua difícil de ser respondida de forma quantitativa: se a força magnética não realiza trabalho, de onde vem a energia cinética que uma bússola adquire ao ser liberada do repouso em posição perpendicular ao campo magnético?
Uma coisa certa
Estou defendendo meu interesse pessoal. Eu sempre estou. Sempre estamos. Não podemos sentir pelos outros, só por nós mesmos... (talvez isso mude um pouco quando a telepatia tecnologica atraves de interface cerebro-computador for desenvolvida).
Ironias em Discussões
Algumas pessoas nao gostam de ironias. Gostam que sejam seguidos certos procedimentos numa discussão.
Mas as provocações (ironias, por exemplo...) são elementos importantes para uma discussão. Ao ferir o "oponente" e romper com os procedimentos, podem otimizar o processo criativo ao gerar um caos de idéias.
Valorização pelo Esforço
A maioria das pessoas acredita que coisas conseguidas através de um grande esforço têm mais valor. Como consequência disso, elas acabam complicando desnecessariamente as coisas.
Valores Absolutos
Duas atitudes são frequentemente confundidas: a crença na não-existência de valores absolutos e a crença na impossibilidade de provar valores absolutos.
De qualquer forma, ambas definem valores, levando a concluir que a primeira vem de um raciocinio contraditório e a segunda é um tanto irracional, um ato de fé.
Esse tema merece ser melhor explorado: Como definir
valor? Como interpretar
valores sobre valorações (meta-valores)? Definir Irracionalidade?
Preciso estudar o teorema de Gödel... Parece-me que ele pode por um pouco de ordem nos parágrafos acima cheios de palavras sem definições. Está cada vez mais difícil viver sem ele.
Pecar para Vencer
A revista Veja dessa semana entrevistou o autor do livro de auto-ajuda
Sin to Win, cujas idéias consistem de praticar os sete pecados capitais para se tornar vitorioso na vida.
Considerando que, numa sociedade, os valores sejam impostos pelas camadas dominantes, então nada mais natural que esses valores (pecados capitais, por exemplo) terem como função impedir o sucesso das camadas dominantes... So sin to win...
Esquizofrenia
Ontem assisti ao filme
Uma Mente Brilhante, que conta a história do ganhador do prêmio Nobel John Nash, que possui esquizofrenia.
Antes de assistir ao filme, não conhecia essa doença direito e achei muito bizarro o fato das alucinações ocorrerem mesmo com ele tendo consciência que eram alucinações. E será que alucinações menores não podem ocorrer rotineiramente com todos os seres humanos?
Intuição [Escrito em 18.06.01]
Quando se fala em intuição, geralmente faz-se associação com precognição, sexto sentido e outras coisas místicas. No entanto, existem formas muito mais simples de se entendê-la, ou defini-la, sem precisar recorrer a esses artifícios metafísicos.
Para analisar o processo intuitivo, faz-se útil considerar a seguinte situação: uma pessoa está numa encruzilhada, tendo dois caminhos para escolher e nenhuma informação ou motivo racional para optar por um deles. Ela então tem um “pressentimento” de que deve optar pelo da direita.
É uma hipótese plausível admitir que esse pressentimento advém de uma análise subconsciente das características das duas opções (Por exemplo, o caminho da esquerda podia ter um leve odor, associado a uma má lembrança da pessoa, fazendo com que ela inconscientemente preferisse o da direita).
Nada mais simples que definir intuição como essa análise subconsciente, que leva em conta o conjunto e a inter-relação de memórias parciais e pequenas características das diversas opções.
Partindo dessa definição, a principal vantagem da intuição consiste na possibilidade de se chegar, através dela, a conclusões que levam em conta inúmeros detalhes, o que seria demasiadamente complicado através de um raciocínio formalmente estruturado, pois este depende da memória consciente para armazenar suas etapas intermediárias.
Por outro lado, a intuição não se permite uma verificação; não há como saber se o processo intuitivo não considerou nenhum detalhe prejudicial para uma conclusão correta.
A intuição é freqüentemente usada no terreno das relações sociais (amor e desconfiança à primeira vista...) e isso se deve à imensa quantidade de características que um ser humano está apto a captar, mas não a processar racionalmente, de outro. O conjunto de todas essas características pode-se definir como “Aura”, assim simplificando novamente mais um conceito freqüentemente encontrado em discussões místicas.
As hipóteses feitas acima sobre intuição e aura sugerem que outros fenômenos místicos possam ser olhados como exageros românticos e metafísicos de processos perfeitamente naturais à espécie humana.
A Natureza Paradigmosa da Humanidade [Escrito em 23.01.01]
A humanidade é composta por 6 bilhões de indivíduos aprisionados em suas rotinas auto-impostas, infernos pessoais, raramente conscientes da própria vida. Por que?
Talvez porque seja dispendioso e até doloroso se manter consciente. É simplesmente mais fácil não pensar em nada, não buscar o conhecimento de si próprio e aceitar as receitas prontas, os paradigmas, que a sociedade mostra. “Aventurar-se causa ansiedade, mas deixar de arriscar-se é perder a si mesmo... E aventurar-se no sentido mais elevado é precisamente tomar consciência de si próprio” (Kierkgaard).
Mas esse ato de tomar consciência de si próprio necessita estranhamente de um esforço contínuo, sem o qual a mente humana volta a se acomodar em torno de arquétipos. Geralmente, a tomada de consciência ocorre quando algum evento abala as convicções de uma pessoa, que então passa por momentos de lucidez, embora psicologicamente desconfortáveis. É esse desconforto que faz o indivíduo se acomodar em torno de novas convicções, tornando-se novamente inconsciente.
O esforço contínuo torna o ato dispendioso e o desconforto pode ser profundamente “doloroso” para quem era muito convicto de seus dogmas religiosos ou princípios científicos. O esforço consiste em justamente acostumar-se a viver no desconforto da existência sem paradigmas, viver sem se convencer de qualquer coisa no universo e sempre questionar a si mesmo.
Mas tudo o que está escrito acima deve ser apenas mais um grande paradigma...
A Libertação [Escrito em 17.03.01]
Depois que uma pessoa nasce, cresce sob os paradigmas do ambiente a sua volta e os absorve por inércia. Muito provavelmente esse indivíduo virá a morrer sem sequer ter pensado sobre as próprias convicções durante sua vida, permanecerá inconsciente e sua mente adormecida.
Os paradigmas podem ser de todos os tipos: a crença na vida após a morte, na pecaminosidade de roubar e matar, na existência de “direitos humanos”, na veracidade dos resultados obtidos pelo método científico, na validade da navalha de occam (princípio da simplicidade).
Raramente, um indivíduo pode ter suas convições abaladas, catalisando o processo de libertação, de auto-conscientização. Um cientista poderia perder a fé nos métodos da ciência ao achar, por exemplo, que uma espécie como a humanidade é complexa demais para ter se formado espontaneamente pelas interações entre átomos. Uma pessoa muito religiosa poderia perder a fé num Deus “bondoso” ao verificar a quantidade de “mal” e “injustiça” existente no mundo. O cientista acabaria se apegando a outros paradigmas, tornando-se possivelmente profundamente religioso. O mesmo ocorreria com o religioso... E ambos viveriam adormecidos para sempre. Seus sonos apenas foram ligeiramente perturbados.
No entanto, eventualmente um desses raros indivíduos pode avaliar todos esses conjuntos de crenças (religiões, o método científico, filosofias morais...) e chegar a estranha conclusão que não há nada que indique que um deles seja mais verdadeiro que o outro. Conseqüentemente, não haveria o “certo” e o “errado”; os conceitos de moral e verdade não existem senão como invenção da mente humana. Essa pessoa enfim se libertou de seus paradigmas. Mas o que ocorrerá com ela agora?
Três possibilidades parecem existir:
- Ela pode entrar numa crise existencial, numa depressão, ao se defrontar com o vazio moral, adotando atitudes auto-destrutivas.
- Pode conscientemente seguir um dos conjuntos de crenças; não por fé, pois esta já foi irremediavelmente perdida, mas por querer parecer normal dentro da sociedade.
- Ou então, ela se acostuma com o vazio, buscando se abster de valorizar as coisas.
Curiosamente, os limites entre uma possibilidade e outra são muito tênues, existindo até um ciclo aparente: a total abstenção da valorização levaria, eventualmente, a atitudes destrutivas... Ter a mente acordada é uma situação com a qual é preciso se acostumar aos poucos, sempre buscando “acordar” ainda mais.
Conjectura: Para cada pessoa moral existe um caminho lógico de argumentação que leva sua moral a uma auto-contradição.
Conjectura: O Altruísmo é indistinguível do Egoísmo dotado de uma lógica complexa o suficiente.
Não se deixe levar pelas suas conclusões. Por mais árduo que tenha sido chegar até elas, não passam de convicções apressadas, vindas de hipóteses infundadas...